Novo relatório do IPCC aponta: apenas redução drástica na emissão de gases pode salvar o Acordo de Paris

Estimativa é que a temperatura ultrapasse 1,5° Celsius antes de 2040, relataram os cientistas, o que significa um aumento da frequência de extremos de frio e calor, de secas e inundações e um risco maior de conflitos

DO OC – O aquecimento global deve ultrapassar em duas décadas o limite mais ambicioso estabelecido pelo acordo climático de Paris, a menos que os governos reduzam drasticamente a emissão de gases de efeito estufa, revela um rascunho do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre a estabilização do aquecimento global a 1,5ºC. O relatório foi obtido pela agência de notícias Reuters. O IPCC publicou uma nota sobre o vazamento, alertando que modificações substanciais podem ocorrer até a divulgação da versão final do documento, em outubro. Membros do painel confirmaram o conteúdo ao OC.

Continue lendo aqui.

Fonte: Observatório do Clima

Mais de 25% da Terra ficará mais seca mesmo se aquecimento global for limitado a 2ºC, diz estudo

Se contivermos o aquecimento médio a 1,5ºC – a meta mais baixa do Acordo de Paris -, a porção afetada diminui para entre 8% e 10%.

Mais de um quarto da superfície terrestre da Terra se tornará “significativamente” mais seca mesmo se a humanidade conseguir limitar o aquecimento global a 2ºC, o objetivo estabelecido no Acordo de Paris, disseram cientistas nesta segunda-feira (1).

Com o aquecimento de 2ºC, que pode ser atingido entre 2052 e 2070, entre 24% e 32% da superfície terrestre total se tornará mais seca.

Mas se contivermos o aquecimento médio a 1,5ºC – a meta mais baixa inscrita como ideal no Acordo de Paris sobre o clima -, esta porção diminui para entre 8% e 10%, concluíram os pesquisadores em um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change.

Continue lendo aqui.

Fonte: France Presse publicado no G1

Cúpula em Paris quer impulsionar financiamento contra aquecimento global

Dois anos após a histórica assinatura do Acordo de Paris, a capital francesa recebe na terça-feira uma cúpula para acelerar o financiamento contra a mudança climática, ainda insuficiente, mas indispensável para fazer frente ao fenômeno.

O evento será coorganizado pela ONU e pelo Banco Mundial, e foi proposto pelo presidente francês, Emmanuel Macron, depois do anúncio do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos do acordo climático.

Cerca de 50 chefes de Estado e de Governo participarão da cúpula, entre eles o mexicano Enrique Peña Nieto, o espanhol Mariano Rajoy, o boliviano Evo Morales, a britânica Theresa May e vários presidentes africanos.

Grandes países emissores de gases de efeito estufa serão representados em um nível inferior, ministerial por exemplo, como no caso de China e Índia.

Os Estados Unidos enviarão um funcionário da embaixada, embora líderes políticos, empresas e fundações tenham informado que estarão presentes para defender que o país “continua ali”.

Também são esperados grandes financiadores públicos e privados, ONGs, e o ator Leonardo DiCaprio, um dos rostos mais conhecidos na luta contra a mudança climática.

Continue lendo aqui.

Fonte: AFP, publicado no UOL

Brasil está longe de cumprir suas metas climáticas

Quem acompanha a implementação dos compromissos que o Brasil impôs a si mesmo no âmbito do Acordo de Paris não tem dúvida: o país caminha na contramão de suas próprias políticas climáticas.

Para além das crescentes emissões de carbono no país –que subiram 8,9% em 2016, tornando mais distante a meta de redução de 37% até 2025–, o que mais preocupa as organizações ligadas ao clima são a falta de coordenação entre os atores estatais e a descontinuidade na implementação da agenda ambiental.

medida provisória 795, que concede incentivos fiscais ao setor de óleo e gás (principal emissor de carbono no mundo), é citada como o exemplo mais recente da falta de diálogo dentro do governo. Aprovada na quarta (29) na Câmara dos Deputados, a iniciativa segue para o Senado sem ter passado por consulta no Ministério do Meio Ambiente.

O presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, senador Jorge Viana (PT-AC), disse contar “com o juízo do Senado” para barrar a medida. Entidades calculam que os benefícios cedidos ao setor podem chegar a R$ 1 trilhão até 2040.

A proposta, contudo, não constitui um ponto fora da curva. Para Viviane Speranza, uma das autoras da mais recente análise do WRI (World Resources Institute) sobre as políticas climáticas brasileiras, o Plano Decenal de Energia (PDE) mostra o descolamento entre as agendas de clima e de desenvolvimento no governo brasileiro.

Embora a Política Nacional de Mudança do Clima tenha em 2009 estipulado o PDE como um instrumento para reduzir as emissões de carbono no setor energético, “a previsão para os próximos dez anos é que 74% dos investimentos sejam em fontes de energia fósseis”, aponta Speranza.

Continue lendo aqui.

Comunidade internacional adia para 2018 inventário sobre emissões de gases poluentes

Apesar de alguns avanços evento não conseguiu redigir o regulamento do Acordo de Paris

Com o objetivo de redigir o regulamento do Acordo de Paris firmado em 2015 à fim de frear o aquecimento global, a Conferência do Clima que aconteceu no ultimo sábado foi marcada por novas decisões e o anúncio da retirada dos Estados Unidos do evento.

Representantes de quase 200 países se reuniram em Bonn, na Alemanha, para a 23ª sessão da Conferência das Partes (COP23) para debater sobre os avanços no combate ao aquecimento global. O evento se estendeu pela madrugada do dia 18 de novembro devido a várias divergências sobre o financiamento da luta contra as mudanças climáticas entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Apesar do objetivo principal do evento ser a escritura do regulamento, o evento tomou outro rumo debatendo novamente os compromissos de cada país na redução dos gases poluentes e também seus compromissos financeiros até 2020. Diante disso, a comunidade internacional decidiu adiar para 2018 o inventário das emissões e também os planos de financiamento.

Mesmo com a determinação do presidente norte americano Donald Trump em sair do Acordo de Paris, o país foi representado por ambientalistas, empresários e políticos no evento, os quais reforçaram que irão manter os projetos sustentáveis em busca da diminuição da temperatura e da preservação do meio ambiente.

Um estudo divulgado no inicio do mês destacou que as emissões de gases poluentes cresceu no ultimo ano novamente, alertando a comunidade em geral para a importância nos compromissos de redução. Os países desenvolvidos são os mais pressionados para que aumentem sua ambição em prol de projetos sustentáveis como geração de energia limpa, biocombustíveis entre outros.

A COP24 está prevista para dezembro de 2018 em Katowice, na Polônia. A expectativa é que o evento de fato finalize o regulamento e reforce cada vez mais a importância na redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Na visão de especialistas infelizmente na COP23 não teve o objetivo esperado, já que não foi firmado nenhuma grande ambição e nem mudança de prazos.

Fonte: Thayssen Carvalho – Biomassa BR

“Maioria nos EUA está comprometida com clima”

Após ascensão de Trump, governador da Califórnia, Jerry Brown, surgiu como um dos líderes em ações contra mudanças climáticas. Em entrevista à DW, ele fala dos desafios de levar causa adiante.Logo depois de Donald Trump anunciar a retirada americana do Acordo de Paris, o governador da Califórnia, Jerry Brown, surgiu como um dos líderes em ações contra as mudanças climáticas.

Em julho de 2017, ele e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, lançaram a iniciativa America’s Pledge (compromisso americano) para que cidades, estados e empresas atinjam o objetivo acordado na capital francesa de manter o aquecimento global abaixo da margem de 2ºC.

Em entrevista à DW durante a 23ª Conferência do Clima (COP23), em Bonn, na Alemanha, Brown explica algumas das ações que a Califórnia tem feito e diz que o estado pretende reduzir gradualmente a produção de petróleo.

“Há uma grande parte dos EUA – muito além de uma maioria – que está comprometida com uma ação climática séria, porque nós sabemos que o aquecimento global é uma ameaça existencial”, disse.

DW: Quais são os principais pontos do America’s Pledge?

Jerry Brown: Antes de mais nada, é dizer ao resto do mundo que os EUA estão dentro do Acordo de Paris. Nós temos que limitar o aumento da temperatura ao teto de 2ºC, e vamos fazer isso não com o governo federal, porque ele está de férias em relação ao respeito às mudanças climáticas.

Mas os estados de Califórnia e Nova York estão dentro – como também de Washington, Óregon, Virgínia e Nova Jersey. E nós temos centenas de cidades, empresas e universidades. Nós representamos quase metade dos EUA.

Há uma grande parte dos EUA – muito além de uma maioria – que está comprometida com uma ação climática séria, porque nós sabemos que o aquecimento global é uma ameaça existencial. Se nós não alcançarmos isso imediatamente com passos decisivos, todos nós sofreremos, e todos os problemas que temos agora – de imigração a eventos climáticos extremos, e desigualdades – vão piorar. O America’s Pledge está preenchendo uma lacuna deixada pela declaração de Donald Trump de que ele estava retirando os EUA do Acordo de Paris.

Você acredita que políticas governamentais a nível local e estadual podem compensar a diferença?

Não, elas não conseguem compensar a diferença. Mas, em vez de não fazer nada, nós estamos fazendo algo – pendente de um novo presidente ou pendente de uma experiência de conversão por parte de Donald Trump, porque sua declaração de que mudança climática é uma farsa criada pelo governo chinês é muito absurda. É como um conto de fadas, é difícil acreditar que Trump realmente acredite nisso. Talvez ele mude de ideia quando outras pressões surgirem.

O estado da Califórnia já está trabalhando nas reduções de emissões, e está fazendo progresso em setores como energia e mobilidade. Como está sendo planejada a descarbonização?

Nosso grande problema são os veículos: caminhões e carros, que perfazem mais de 40% dos nossos gases de efeito estufa. E, por isso, nós desejamos veículos de emissão zero. Nós queremos que montadoras alemãs percebam que desejamos veículos de emissão zero – nós não queremos esses veículos antigos a diesel. Nós desejamos o “novo” – é o que China e Califórnia querem. E, juntos, nós somos o maior mercado.

No evento America’s Pledge, manifestantes disseram que o petróleo produzido na Califórnia está entre os mais sujos do mundo, e eles acusam o estado de ter políticas favoráveis ao petróleo. Existe o planejamento de eliminar gradualmente a produção de petróleo na Califórnia?

Sim, parte do petróleo – mas não todo ele – é bastante sujo. E, sim, nós seremos capazes de reduzir a produção gradualmente. Mas seria um pouco hipócrita dizer que, na Califórnia, onde nós temos controles ambientais rigorosos sobre a exploração de petróleo, a produção será encerrada e levada para outros países onde há pessoas muito mais pobres, com poluição muito pior e regras ambientais mais frouxas.

Nós temos ouvido esse argumento da Noruega – país produtor de petróleo que tem uma política climática muito positiva. Mas você não acha que isso vai então comprometer a reputação da Califórnia como um líder do clima?

Bem, se parássemos os 32 milhões de carros e disserem que você não pode usar petróleo, toda a economia entraria em colapso. Você teria uma revolução, haveria tiroteio nas ruas. Não se pode fazer isso, ninguém faria isso. Então, o que você está dizendo é: paralise a energia que alimenta todos esses carros, mas não pare os carros. E isso não é coerente. Agora, sim, nós vamos reduzir gradualmente o consumo de petróleo, mas nós temos um plano: um teto, um limite para as emissões de gases de efeito estufa.

Essa é a chave: reduzir o dióxido de carbono e outras emissões de gases de efeito estufa. E nós estamos fazendo isso. Nós diminuímos 5% neste ano, e temos um plano de reduzir 40% das emissões em comparação a 1990 até 2030 – um esforço muito heroico. E não é só uma coisa, são várias: [reduzir as emissões de gases de efeito estufa] requer energia renovável, prédios e aparelhos eficientes, um sistema de mercado de carbono e um combustível-padrão com baixo teor de carbono. É preciso fazer muitas coisas.

Esta é uma indústria muito enraizada, e nós precisamos de uma resposta muito sofisticada para reduzi-la. Eu entendo o que pessoas estão dizendo, mas isso é parte de um quadro muito mais amplo. E gestos não são úteis – nós precisamos de estratégias e ações.

A Califórnia tem um status legal especial nos EUA para poder estabelecer seus próprios regulamentos em áreas como poluição do ar – mas isso pode ser contestado pelo governo federal. Você acredita que isso acontecerá e, em caso afirmativo, qual poderia ser o resultado?

Bem, já fomos contestados antes: sob o governo Bush, as regras de emissão da Califórnia foram contestadas, e nós apenas superamos essa disputa com a eleição de Obama. Porém, no governo Obama, as regras da Califórnia entraram em vigor. Esse é um processo baseado em evidências – e Trump não pode simplesmente mudar uma regra. Ele tem que passar por um processo baseado em evidências. E os tribunais independentes assegurarão que esse processo seja honesto e tenha integridade. Eu acho que ele já terá ido muito antes que nossas políticas sejam modificadas de alguma forma.

Como você vê o futuro do governo federal dos EUA em relação ao Acordo de Paris?

Eu acredito que o governo federal não está fazendo nenhum progresso. Eles se tornaram como [o programa de humor da televisão americana] Saturday Night Live, ou um programa de comédia. Eles estão levando uma empresa de carvão para ensinar aos europeus como limpar o meio ambiente. É quase um “duplifalar” [como no livro 1984, de George Orwell]. Então, ninguém vai levar isso a sério. Mas a bolha dos radicais extremos que apoia Trump adora. É como dar carne vermelha para eles: eles mastigam e se sentem bem, mas não representam mais do que 35% a 40%.

E quanto ao argumento que mudar para energia renovável vai custar muitos empregos?

Esta é uma das histórias bobas que nós chamamos de “trumpismo”. A verdade da questão é que a Califórnia – com sua forte energia renovável e com seu conjunto de políticas muito profundas de redução de gases de efeito estufa – tem uma economia que cresce mais rápido do que a média nacional. É uma prova muito boa de que energia verde, eólica, solar, nova rede elétrica, armazenamento de energia, carros elétricos, veículos a hidrogênio – tudo isso cria novos empregos, os empregos do futuro.

O que se pode fazer? Qual é a sua mensagem?

As pessoas podem votar em candidatos que levam as mudanças climáticas a sério. Em segundo lugar, eles podem mudar seu próprio comportamento, seja o carro que eles dirigem, ou com que frequências elas caminham, as refeições, a maneira como eles cozinham, as tecnologias que eles compram, até mesmo algo simples como as lâmpadas. Todos nós podemos fazer a nossa parte – mas, individualmente, não será suficiente. Nós precisamos de liderança coletiva por parte dos governos em todos os lugares para realmente descarbonizar o mundo. E é nisso que eu tenho me empenhado.

Fonte: Deutsche Welle

Coalizão anti-Trump dos EUA diz à ONU que está comprometida com acordo global do clima

Grupo de americanos montou pavilhão em Bonn, na Alemanha, onde acontece a COP23, maior conferência sobre assuntos climáticos.

Uma coalizão de cidades, empresas e outros grupos norte-americanos disse nesta quinta-feira (9) que muitos nos Estados Unidos continuam comprometidos com o acordo do clima de Paris de 2015, apesar dos planos do presidente Donald Trump de retirar os EUA do pacto global.

A coalizão “ainda estamos dentro” montou um pavilhão de 2.500 metros quadrados diante de um centro de convenções em Bonn, na Alemanha, onde delegados de quase 200 nações estão acertando os detalhes do pacto que visa acabar com a era dos combustíveis fósseis até 2100, na COP23.

Em contraste, o escritório da delegação dos EUA presente para as conversas só tem 100 metros quadrados. Trump, que duvida das principais descobertas científicas segundo as quais o aquecimento global é causado primariamente por gases de efeito estufa gerados pelo homem, disse em junho que se retirará do Acordo de Paris e incentivará as indústrias norte-americanas de carvão e petróleo.

Continue lendo aqui.

Fonte: Reuters, publicado no G1

Como verificar o Acordo de Paris?

Depois de acertar como limitar aquecimento global, negociadores precisam agora encontrar maneiras de medir progressos dos países nas implementações de suas metas.Dois anos depois de o mundo ter se comprometido a combater as mudanças climáticas em Paris, negociadores ainda estão tentando acertar os detalhes do acordo para limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius.

Uma boa parte do problema é desenvolver um plano para monitorar e verificar o cumprimento das promessas feitas por quase 200 países para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. Durante a COP23, negociadores vão se dedicar a criar um sistema para fazer essas medições.

Definir esse conjunto de regras não é tarefa fácil, afirma o cientista Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo. “Temos de medir com cuidado. Vamos verificar reduções pequenas e graduais em números grandes, assim precisamos ter certeza de que mediremos os valores corretamente”, diz.

 Por que regras verificáveis são importantes para alcançar as metas de Paris?

Como as medidas com as quais os países se comprometeram no Acordo de Paris são voluntárias, torna-se fundamental verificar se os signatários estão fazendo progressos, afirma Andrew Light, que foi um negociador do clima durante o governo Barack Obama. “Transparência é a principal maneira de saber se as promessas feitas em Paris estão sendo cumpridas. A única maneira de saber que estamos progredindo vem da nossa capacidade de entender o que os outros estão fazendo.”

Por ora, o mundo depende de relatórios dos próprios países, verificados por outros, o que envolve um exame detalhado de como cada país executa seus inventários de gases do efeito estufa.

Como os países informam seus avanços?

Há várias fontes de gases do efeito estufa, e cada país é responsável por rastrear suas próprias emissões e comprovar progressos na redução. Basicamente, os países quantificam quanto carvão, petróleo e gás utilizaram e se apoiam numa fórmula padrão para calcular as emissões de gases do efeito estufa. As equações também incluem dados sobre práticas agrícolas e florestais para considerar as emissões de rebanhos, uso de fertilizantes e alterações na cobertura florestal.

Até quando as regras necessitam estar prontas?

As regras precisam padronizar os procedimentos de prestação de contas dos países, e isso precisa ser feito até 2018, segundo o cronograma do Acordo de Paris. Para que isso aconteça, os delegados presentes em Bonn precisam começar a acertar os detalhes sobre a contagem das emissões de carbono.

Light diz que um dos principais obstáculos para a transparência é o sistema “bifurcado” de prestações de contas adotado na conferência do clima de 2010, em Cancun, “com regras diferentes para países desenvolvidos e em desenvolvimento e mais escrutínio e supervisão sobre os países desenvolvidos.”

Qual o envolvimento dos Estados Unidos na definição das regras?

Para que o Acordo de Paris funcione, em algum momento todos terão que jogar dentro das mesmas regras, diz Light. E, apesar dos planos do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo, o país ainda co-preside o comitê de transparência – ao lado da China – e ainda tem algumas das ideias mais avançadas de como isso poderia ser feito, acrescenta.

“É uma situação curiosa essa em que nós nos encontramos, com o anúncio de Trump de sair do Acordo de Paris”, comenta Light. “Os Estados Unidos têm as ideias mais avançadas sobre como passar para um sistema uniforme de [prestação de contas], mas não está claro como isso vai funcionar nas negociações de Bonn.”

Não se pode esperar grandes anúncios nessa COP23, diz Glen Peters, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas Internacionais, em Oslo. “Vai acontecer lentamente, em intervalos de cinco a dez anos”, diz Peters, reconhecendo que esse sistema separado de prestação de contas não tem como funcionar no longo prazo.

Quais são as regras para os países em desenvolvimento?

“Países em desenvolvimento devem submeter relatórios periodicamente, mas não precisam fornecer estimativas detalhadas de emissões. Assim, temos pouco conhecimento oficial sobre o quanto seriam suas emissões. Isso torna a coisa realmente difícil”, diz Peters.

Apesar de haver estimativas independentes, por exemplo da Agência Internacional de Energia, elas nem sempre usam os mesmos critérios. Assim, há uma grande incerteza sobre as emissões de países como China, Brasil e Índia, acrescenta.

Ele diz que especialmente a China precisa ampliar o monitoramento e a verificação. Países pequenos e não tão desenvolvidos podem sempre afirmar que não têm os recursos para criar relatórios detalhados, mas a China tem condições de fazer isso.

“A China está tentando mostrar liderança. Então que abra suas contas: isso vai colocar pressão sobre outros países em desenvolvimento, como Índia e Brasil, para fazer o mesmo”, diz Peters. Segundo ele, o Global Carbon Project vai divulgar um relatório em 13 de novembro com projeções sobre quanto tempo poderá será necessário para que mudanças significativas nas emissões sejam detectadas.

Como será a verificação das emissões no futuro?

Do ponto de vista tecnológico, principalmente os satélites vão desempenhar um papel maior no monitoramento das emissões de gases do efeito estufa e na análise geral do cliclo global de carbono.

Isso é importante porque os combustíveis fósseis não são a única fonte de gases do efeito estufa. Os últimos três anos fornecem um exemplo perfeito disso. Mesmo que as emissões anuais oriundas de combustíveis fósseis tenham se mantido constantes entre 2014 e 2016, a concentração total de dióxido de carbono na atmosfera aumentou de forma muito mais rápida do que em anos anteriores.

Um novo satélite da Nasa, o Orbiting Carbon Observatory 2 (OCO-2), associou esse aumento a mudanças nas florestas tropicais na Região Amazônica, assim como na África e na Indonésia.

Segundo Palmer, os satélites vão recolher dados de países onde fatores financeiros ou políticos impedem a medição in loco, assim como de regiões que simplesmente não são acessíveis. “Eles vão voar sobre grandes ecossistemas florestais, onde manter uma rede de medição é muito difícil por causa da tecnologia e do apoio humano necessários, e sobre os oceanos, onde eles poderão medir o escoamento continental”, explica.

 Fonte: Deutsche Welle

COP23 começa pedindo ação urgente contra mudanças climáticas

Os delegados de cerca de 200 países se reúnem em Bonn, Alemanha, pela primeira vez desde o anúncio de Trump sobre a retirada dos EUA do Acordo de Paris

O presidente da 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas(COP23) lançou nesta segunda-feira (6) um pedido para uma ação urgente da comunidade internacional, ao declarar aberta a reunião, realizada em Bonn, Alemanha.

“Nosso apelo coletivo é que se mantenha o rumo estabelecido em Paris”, declarou o primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, referindo-se ao acordo adotado na França em 2015.

A COP23 começou hoje na ausência de um poluidor histórico, os Estados Unidos, e com uma meta global cada vez mais difícil de se cumprir.

Os delegados de cerca de 200 países se reúnem nesta cidade alemã pela primeira vez desde o anúncio por parte do presidente americano, Donald Trump, em junho passado, da retirada dos Estados Unidos desse pacto histórico.

Também pela primeira vez, um pequeno Estado insular, Fiji, para o qual a mudança climática representa uma ameaça vital, exerce a presidência das duas semanas de negociações.

E, segundo cientistas, esses fenômenos vão-se intensificar devido à desregulação do clima: enormes furacões no Caribe, incêndios de intensidade incomum em Portugal e na Califórnia, ou secas intermináveis no leste da África.

Adotado no final de 2015 e ratificado até o momento por 168 países, o Acordo de Paris tem como meta manter o aquecimento do planeta abaixo dos 2ºC (se possível de 1,5ºC) com relação aos níveis pré-Revolução Industrial.

O anúncio da retirada americana representou um duro golpe para este processo complexo que demanda um recuo no uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Por enquanto, os compromissos voluntários assumidos pelos países em Paris não permitem reduzir os termômetros abaixo dos 3ºC. Apesar dos avanços, como a estabilização das emissões de CO2, a distância entre a ação e as necessidades é “catastrófica”, advertiu a ONU em um relatório publicado na semana passada, convidando os países a reforçarem sua contribuição.

Esta 23ª COP reunirá quase 20.000 pessoas na cidade alemã, sede da convenção do clima das Nações Unidas. A partir da segunda semana, espera-se a presença de vários altos dirigentes, em particular em 15 de novembro, quando devem comparecer a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também estará lá, assim como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o governador da Califórnia, Jerry Brown, dois defensores da causa climática que querem compensar a retirada americana.

No sábado, milhares de pessoas protestaram em Bonn para pedir ações mais contundentes contra o aquecimento global.

Com frases como “sim à justiça climática, não ao carvão!”, os manifestantes começaram a marchar pelo centro da ex-capital federal alemã com destino aos arredores do local onde acontece a COP23, às margens do Reno.

“Devem acabar com o carvão”, o combustível fóssil mais nocivo de todos, exigia a multidão que compareceu ao protesto convocado por cerca de 100 ONGs como Oxfam, WWF e Greenpeace.

Os participantes da marcha seguravam globos terrestres verdes e pretos.

Fonte: AFP

ONU Meio Ambiente: projetos de energia renovável nos países em desenvolvimento apoiam Acordo de Paris

Projetos de energia renovável e eficiente nos países em desenvolvimento podem ajudar a preencher déficits no Acordo de Paris para o clima, enquanto são acompanhados de enorme benefícios econômicos e para a saúde humana, de acordo com novo relatório divulgado nesta terça-feia (31) pela 1 Gigaton Coalition, coalizão formada por ONU Meio Ambiente e governo da Noruega.

O relatório “Energia renovável e eficiente nos países em desenvolvimento: contribuições para reduzir as emissões globais” conclui que projetos com apoio internacional, implementados nos países em desenvolvimento entre 2005 e 2016, podem reduzir as emissões de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) em 0,6 gigatoneladas anualmente até 2020. Uma gigatonelada é equivalente a um ano de emissões do transporte na União Europeia (incluindo aviação).

Quando ampliados por meio de compromissos internacionais para financiamento do clima, tais projetos podem entregar reduções de até 1,4 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalentes até 2020 — permitindo que a comunidade internacional atinja seu compromisso de mobilizar um quarto dos 100 bilhões de dólares por ano para ajudar países em desenvolvimento a se adaptar às mudanças climáticas e reduzir suas emissões.

De acordo com o relatório “Emissions Gap” da ONU Meio Ambiente, lançado também nesta terça-feira (31) o mundo precisa cortar de 11 a 13,5 GtCO2e até 2030 para estar no caminho de menor custo para atingir a meta de Paris de limitar a elevação da temperatura global a 2 graus Centígrados neste século.

“Enquanto a energia renovável e eficiente traz outros benefícios — incluindo uma melhor saúde humana e empregos — peço que a comunidade internacional entregue os recursos que prometeu para apoiar nações em desenvolvimento em sua ação pelo clima”, disse Ine Eriksen Søreide, ministro de Relações Exteriores da Noruega. “Projetos de energia renovável em parceria e projetos e políticas de eficiência energética são vitais para a descarbonização global, ao fornecer recursos-chave e criar ambientes propícios em regiões críticas”.

O relatório da 1 Gigaton Coalition conclui que os projetos de energia renovável e eficiente criam múltiplos benefícios para além da mitigação das mudanças do clima. Esses benefícios incluem melhoras ambientais e na saúde humana, estímulo econômico e criação de empregos, mais igualdade de gênero e melhoras sociais que apoiam os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), tornando a eficiência energética e a energia renovável um investimento amplo.

O relatório enfatiza muitos casos onde tais benefícios foram acumulados:

• O governo municipal de Nova Délhi fechou uma parceria com a organização IL&FS Environment para construir uma usina de aproveitamento de materiais recicláveis que irá economizar esperadas 8,2 milhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa em 25 anos, enquanto reduzirá a poluição do solo. O projeto contratou 70 coletores de materiais recicláveis, e criou um centro comunitário que fornece apoio e treinamento a aproximadamente 200 mulheres.

• A cidade chinesa de Nanjing adicionou 4,3 mil veículos elétricos às ruas entre 2014 e 2015, reduzindo as emissões em 246 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente e economizando mais de 71 milhões de dólares em contas de energia em apenas um ano.

• Em Lagos, uma parceria entre uma empresa start-up solar e de telecomunicações levou energia solar a 50 mil casas, clínicas, escolas e empresas, beneficiando mais de 250 mil pessoas e criando 450 empregos.

• O programa de certificação de edifícios sustentáveis na Cidade do México cobre 8,2 mil metros quadrados de área em 65 edifícios. Criou 68 novos empregos e evitou a emissão de 116,8 mil toneladas de CO2, economizou 133 milhões de quilowatt/hora (kWh) de eletricidade e 1,73 milhões de metros cúbicos de água potável.

“O relatório mostra claramente que investimentos em energias renováveis e eficiência energética não são apenas para fugir das catástrofes da mudança climática”, disse Erik Solheim, chefe da ONU Meio Ambiente. “Eles melhoram a vida das pessoas agora ao reduzir a poluição do ar e criar empregos que vão durar”.

Para apoiar os objetivos globais de energia renovável e eficiência energética, o relatório enfatiza a necessidade de amplo apoio à transferência conhecimento e tecnologia, mais financiamento e políticas para criar ambientes propícios para medidas descarbonização; e rápida inovação tecnológica e implementação de projetos.

Clique aqui para baixar o relatório da 1 Gigaton Coalition e o documento Emissions Gap.

Sobre a coalizão

A 1 Gigaton Coalition é uma diretriz voluntária internacional iniciada e apoiada pela Noruega. É coordenada pela ONU Meio Ambiente. A coalizão apoia países para medir e reportar as emissões de gases de efeito estufa evitadas por atividades e iniciativas de energia renovável e eficiência energética.

Fonte: ONU BR

FIQUE SABENDO DE NOSSAS NOVIDADES


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721