Poluição na Coreia do Sul faz crianças terem aulas virtuais de educação física

Esse foi um dos meios encontrados para minimizar os problemas causados pela sujeira no ar

O ar está tão tóxico na Coreia do Sul que muitas escolas tiveram que encontrar um meio de minimizar os problemas causados pela forte poluição. Sem poder brincar do lado de fora, as crianças estão praticando esportes em salas virtuais. Já a poluição não para de se estender pelo país.

Na sala de aula câmeras por todos os lados. Em uma das paredes um telão gigante chama a atenção das crianças que tentam acertar alvos móveis com uma bola.

O jornal Korea Herald descreve a cena que se repete quase todos os dias na escola Banghak em Seul. A ideia é substituir as aulas ao ar livre quando o nível de partículas finas se torna prejudicial à saúde. Segundo o ministério dos esportes, a tecnologia já foi testada em 10 escolas e outras 178 utilizarão o sistema até o fim do ano. O valor do projeto está orçado em € 5 milhões.

POLUIÇÃO, TEMA CENTRAL DAS ELEIÇÕES

A reitoria de Seul prometeu que até 2020 todas as creches e escolas terão purificadores de ar. Uma promessa que mostra a preocupação da população: os picos de poluição se multiplicaram nas últimas semanas e o assunto se tornou o tema central das eleições municipais de junho.

A poluição é tanta que começou a fazer parte do cotidiano das pessoas. Os pais verificam o nível de partículas finas todas as manhãs para decidir se deixam as crianças brincarem do lado de fora. Como em outras cidades asiáticas, nas ruas de Seul, muitos usam máscaras. O acessório se tornou um dos mais vendidos, sem esquecer os purificadores de ar.

PARALISAÇÃO NOS ESPORTES

No começo de abril, pela primeira vez na história, três partidas de baseball profissional foram canceladas por causa da poluição. O mesmo vai acontecer no futebol. Em declarações à agência Reuters, Kim Hae-kyung, responsável da associação de futebol da Coreia explicou que a logística de alterar um jogo de futebol é “mais difícil, mas o objetivo é proteger a saúde de jogadores, adeptos e elementos da organização que estejam nos jogos”.

NOVAS USINAS A CARVÃO

Essas partículas cancerígenas são produzidas principalmente por usinas a carvão e pelos veículos motorizados. Uma parte da poluição vem dos centros industriais chineses trazida pelos ventos.

Apesar da forte poluição, o governo pretende construir mais nove usinas, o que acabou gerando uma forte polêmica no país. “As partículas finas matam pessoas todos os dias e o assunto é mais grave do que a ameaça nuclear vinda da Coreia do Norte” afirma um editorialista do jornal Joogang, que fala de um “desastre nacional” e acusa o governo de não se esforçar para encontrar soluções efetivas.

Para muitos, as salas virtuais e os purificadores de ar não passam de soluções paliativas já que o aumento do consumo de energia acaba contribuindo para o aumento da poluição.

Fonte: RFI publicado na Folha d S.Paulo

Para se tornar líder climático, país deve se comprometer a zerar emissões

As leis climáticas criadas pelo Reino Unido trilharam um caminho que está servindo de exemplo para outras nações. Os países mais progressistas se comprometeram a zerar suas emissões e o Reino Unido deve recuperar o seu papel de liderança no clima, sentenciou o vice-primeiro-ministro da Suécia.

O que significa, afinal, para uma nação ser um “líder climático” em 2018? Primeiro pré-requisito: ter um plano firme para cumprir a sua parte no acordo climático de Paris. Em dezembro de 2015, governos de 195 governos comprometeram-se voluntariamente não apenas a manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, como buscar o nível mais seguro de 1,5°C. Além disso, assumiram o compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa a zero.

Nesse sentido, não posso deixar de sentir orgulho de que o meu governo foi o primeiro no mundo ocidental a acelerar e a cumprir o acordo climático de Paris. Em junho do ano passado, adotamos a meta de cortar as emissões líquidas de gases do efeito estufa da Suécia para zero até 2045, e estabelecemos o compromisso em lei.

No prazo de uma geração, no entanto, a Suécia terá feito muito pelo clima do planeta. É preciso mais. Mas a ciência nos garante que, se todas as nações adotarem essa meta, há uma boa chance de cumprirmos os compromissos que assumimos na cúpula de Paris e mantermos as mudanças climáticas dentro de limites seguros.

A lei da Suécia não define apenas uma meta de emissões e uma data. Todos os anos, o governo deve apresentar um relatório de progresso ao parlamento, e a cada quatro anos ele deve fazer um novo conjunto de políticas que proporcionem reduções de emissões cada vez maiores. Dessa forma, garantiremos um progresso constante em direção ao nosso objetivo.

Pelo conteúdo da nossa lei, temos com o Reino Unido uma dívida de gratidão. Dez anos atrás, o Reino Unido trouxe a primeira lei do mundo com uma meta obrigatória de redução das emissões de gases de efeito estufa. A Suécia tomou emprestado e fez a sua, assim como a Dinamarca e a Finlândia.

As leis climáticas oferecem algo que, em uma democracia saudável, é inestimável para empresas e cidadãos: a certeza. Nossas empresas sabem que os combustíveis fósseis serão virtualmente eliminados nos próximos 25 anos; o carvão já foi, e o petróleo e o gás seguirão o mesmo caminho. A certeza ajuda os cidadãos, as empresas, os investidores e o próprio governo a tomar as melhores decisões para o futuro e para os seus interesses. Apenas como exemplo, é sensato construir todas as novas casas com soluções de energia sustentáveis, eliminando assim a necessidade de adaptação em uma década.

Vários outros países também elevaram as metas líquidas de corte de emissões até 2040 ou 2050, o que inclui a França, a Islândia e a Nova Zelândia. Também algumas nações em desenvolvimento, como a Costa Rica e o Butão. Impulsionada por uma aliança progressista, incluindo a Suécia e o Reino Unido, a União Europeia caminha no mesmo sentido. Já o parlamento da UE votou favoravelmente pelo compromisso de emissões zeradas, e a comissão já atualiza seu roteiro de energia e clima em consonância com o acordo de Paris – um processo que inevitavelmente recomendará o objetivo de zerar as emissões líquidas no bloco até 2050.

Outras nações, inevitavelmente, seguirão o mesmo percurso até o final deste ano. Em outubro, o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicará um relatório histórico que deve confirmar que o mundo precisará de emissões líquidas zeradas em meados do século para cumprir o acordo de Paris. Assim, espera-se naturalmente que os países onde as finanças e a tecnologia moderna estão mais disponíveis se lancem como líderes para alcançar o objetivo. Por ser um órgão intergovernamental, será claramente insustentável para qualquer governo ocidental se tornar um líder climático sem se comprometer em zerar as emissões conforme recomenda o IPCC.

Atender a meta de ‘emissão zero’ não será uma tarefa fácil em todos os setores da economia. Sabemos como fazer isso com a eletricidade e o transporte rodoviário; mas ainda faltam alternativas para a agricultura e a aviação. Nesse ponto, devemos apostar na inovação, cuja velocidade continua a nos surpreender. Podemos, portanto, acelerar as mudanças nesses setores com instrumentos financeiros específicos, como o imposto sobre a aviação que a Suécia apresentou este mês.

Certamente não é aceitável que qualquer governo ou consultor estatutário diga que zerar as emissões é algo impossível. Não só é possível como tem de ser feito – afinal, enquanto continuarmos emitindo dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir no planeta. Negar a capacidade de zerar as emissões significar desistir da missão de evitar as mudanças climáticas mais perigosas e aceitar que não iremos conter o aumento do nível do mar, a falta de suprimentos alimentares, a extinção de espécies e um oceano acidificante. Definitivamente não é o mundo que eu desejo presentear meus filhos e netos; nem, acredito, qualquer líder responsável.

Dez anos atrás, o Reino Unido se destacou perante muitas outras nações, incluindo a minha, ao adotar a Lei de Mudanças Climáticas. A ciência e a diplomacia seguem em frente; e, enquanto o IPCC e o acordo de Paris estão nos dizendo para zerar as emissões de gases de efeito estufa até meados do século, cabe a todos nós incorporar a missão em nossos programas nacionais. É a tarefa mínima para a nação que deseja ser chamada de líder climático em 2018.

Isabella Lövin é vice-primeira-ministra da Suécia e ministra do desenvolvimento internacional, cooperação e clima

Fonte: Observatório do Clima

Após um ano, Rota 2030 finalmente pode sair

Presidente da associação de fabricantes diz que o novo regime automotivo pode ser acertado até o final do mês

Desde o final do programa Inovar Auto, no final de 2017, o Brasil ainda não fechou um modelo para o seu novo regime automotivo. Desde abril do ano passado, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), vem discutindo com o governo federal o Rota 2030, que deve ditar as regras do setor para o futuro.

Em entrevista ao site Automotive Business, Antonio Megale, presidente da Anfavea, afirmou que haverá uma nova reunião com o governo federal para a definição do Rota 2030 no próximo dia 24. O presidente Michel Temer teria prometido aprovar o processo até o final de abril.

De acordo com Megale, o Rota 2030 terá como tema central a geração de conhecimento e que o avanço tecnológico deve passar também pela cadeia de fornecedores. Além disso, o executivo afirmou ser importante o desenvolvimento de veículos elétricos, mas, no Brasil, os motores de combustão interna ainda terão espaço pelo uso de biocombustíveis.

Fonte: iCarros

Peru promulga lei para enfrentar mudanças climáticas

O Peru promulgou, nesta quarta-feira(18), uma lei para enfrentar as mudanças climáticas em seu território, afetado nos últimos anos pelo derretimento de geleiras andinas.

“A lei marco sobre Mudanças Climáticas tem por objeto estabelecer os princípios, enfoques e disposições gerais para (…) as medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas, a fim de reduzir a vulnerabilidade do país”, revela o Diário Oficial.

Um total de 42% da superfície das geleiras andinas do Peru desapareceram desde a década de 1970 como consequência do aquecimento global, segundo dados oficiais.

A lei dispõe aproveitar “as oportunidades do crescimento baixo em carbono e cumprir os compromissos internacionais assumidos pelo Estado na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, com enfoque intergeracional”.

“O Peru assume um firme compromisso climático e se soma ao esforço de outros países”, disse o presidente, Martín Vizcarra, na terça-feira, ao assinar a lei, aprovada pelo Congresso em 15 de março.

O Peru se torna o primeiro país da América do Sul a contar com uma lei expressa após o Acordo de Paris sobre o clima, alcançado em 2015.

Com a aprovação da lei, todos os níveis do governo deverão considerar em suas ações e planejamentos o enfoque das mudanças climáticas.

O Ministério do Meio Ambiente será o encarregado de supervisionar o cumprimento desta norma, reportando, monitorando e prestando contas sobre o nível de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: AFP

Resíduos do dendê são usados como substrato para cultivar cogumelos comestíveis

Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Embrapa Agroenergia (DF) encontraram uma alternativa para produzir cogumelos comestíveis, como o Pleurotus ostreatus, ou shimeji, no Brasil a baixo custo e, assim, tornar seu consumo acessível a grande parte da população. Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo.

Segundo o pesquisador Marcos Enê Oliveira, o shimeji encontra condições ideais para se desenvolver nos resíduos industriais do dendê produzido no Brasil, especialmente no Pará, onde a indústria gera três toneladas de resíduos sólidos e uma tonelada de efluentes líquidos.

Oliveira explica que as biomassas residuais são fibras e substâncias ricas em proteína, lipídeos, carboidratos e minerais, que podem nutrir cogumelos comestíveis como o shimeji, conhecido também como cogumelo-ostra, produto bastante apreciado na culinária nacional e internacional.

Atualmente, comprar shimeji no mercado brasileiro é para poucos. O quilo do produto sai entre R$ 48,00 e R$ 80,00 porque grande parte dele vem do exterior e tem alto custo de importação. Só de frete, paga-se em torno de dois reais por quilo. Além disso, é preciso cuidado redobrado no transporte e na conservação do produto.

Cultivo de cogumelos

O pesquisador destaca que o cultivo desses cogumelos comestíveis é possível devido à sua versatilidade em se desenvolver em diferentes condições climáticas e substratos. “Esse fungo tem uma enorme capacidade de quebrar fibras lignocelulósicas, consideradas complexas quimicamente, e extrair delas os nutrientes necessários para o seu crescimento e frutificação”, conta o especialista, explicando que o cultivo imita o que ocorre na natureza ao oferecer resíduos vegetais em um substrato formado por fibras e pelo efluente gerado.

Para se chegar à mistura ideal, os pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), Félix Siqueira e Simone Mendonça testam formulações de substratos com diferentes concentrações de resíduos, entre eles, a cinza de caldeira, também oriunda do processamento do óleo de dendê.   O substrato é esterilizado em autoclave industrial para, depois, inocular o fungo. A fase de colonização, que é o crescimento do fungo no substrato, leva em torno de 25 a 30 dias em uma câmara escura, a fim de imitar a natureza onde os cogumelos crescem ao abrigo da luz em serapilheiras ou troncos de arvores.

Efluente rico

O efluente líquido do processamento do dendê, conhecido pela sigla Pome (palm oil mill effluent), é constituído, principalmente, de água, minerais e matéria orgânica, e atualmente seu destino são as lagoas de estabilização, conforme orienta a legislação. “Algumas experiências têm indicado a utilização desse efluente líquido como fertilizante para os plantios de dendê, mas essa aplicação ainda está sendo estudada para assegurar que não haja impacto ambiental”, esclarece o pesquisador Félix Siqueira.

Os valiosos resíduos do dendê

O Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de óleo de dendê. Em 2017, por exemplo, o estado produziu cerca de 480 mil toneladas desse óleo, gerando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de resíduos sólidos e líquidos. De acordo com Roberto Yokoyama, diretor da empresa Dendê do Pará (Denpasa) e presidente da Câmara Setorial da Palma de Óleo, o custo médio da tonelada de óleo bruto produzido no Brasil está por volta de US$ 610 a US$ 650, e o investimento necessário para se montar uma usina de beneficiamento é de um milhão de reais para cada tonelada de cacho processado, sendo que pelo menos 30% desse valor está diretamente ligado aos resíduos.

Na indústria de beneficiamento do óleo, os resíduos são o cacho vazio; o efluente líquido (Pome); a fibra e a casca do fruto, (resultante da prensagem); a borra, partículas sólidas geradas na separação entre o óleo e a água; e a torta de palmiste, resíduo da prensagem da amêndoa. Yokoyama conta que alguns deles já são utilizados para outros fins, como alimentação animal e geração de energia, mas o volume produzido ainda é grande. “Mesmo com alguns usos, o resíduo gerado ainda é um problema para a indústria”, afirma.

A Embrapa divulgou em comunicado que, para cada tonelada de cacho de fruto fresco (CFF) que entra na agroindústria, são produzidos em média 220 kg de cacho vazio, 120 kg de fibra de prensagem, 50 kg de casca, 20 kg de torta de palmiste, 60 kg de borra e 650 kg a 1.000 kg de efluentes. Esses resíduos são basicamente compostos por celulose e lignina, um material fibroso complexo, cujas ligações conseguem ser quebradas pelos fungos do gênero pleurotus, divulgou a Embrapa.

Fonte: Farming Brasil

Reive Barros será presidente da EPE

O engenheiro eletricista Reive Barros dos Santos será o nome indicado pelo Ministério de Minas e Energia para comandar a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), substituindo Luiz Barroso, que deixou o comando da estatal com a saída do ex-ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Ex-diretor da Aneel, o novo presidente da empresa esteve reunido nesta quarta-feira (18/4) com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, na sede do MME.

Internamente, a indicação de Reive Barros é tida no MME como um quadro que reforça as prioridades do Ministério com o setor elétrico.  A reforma do setor elétrico e a privatização da Eletrobras são as prioridades da gestão de Moreira Franco na pasta. Hoje, o ministro esteve reunido com o senador Eduardo Braga (MDB/AM) e o deputado Julio Lopes (PP/RJ), presidente e relator da Comissão Mista da MP 814, para discutir o tema.

Reive Barros é engenheiro eletricista graduado pela Escola Politécnica de Pernambuco em 1974. Especialista em administração estratégica, atuou em grandes empresas do setor elétrico nas áreas de distribuição e transmissão de energia elétrica. Também é professor e ministra as disciplinas Distribuição e Transmissão de Energia Elétrica na Escola Politécnica de Pernambuco, da Universidade de Pernambuco (UPE), desde 1977. Foi diretor da Aneel entre 2014 e 2018.

Fonte: E&P Brasil

Produção de biodiesel deve ser de 5 bilhões de litros em 2018

Determinação do CNPE impulsiona o mercado deste biocombustível.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, em março, a medida que determina o aumento de 10% de biodiesel (B10) na mistura com o óleo diesel. Essa decisão trouxe para o mercado uma expectativa de, pela primeira vez, alcançar o patamar de 5 bilhões de litros ainda neste ano, de acordo com a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).

Para o gerente de negócios para biodiesel da Camlin Fine Sciences (CFS), Frederico Sakson, o biodiesel impactará na geração de empregos, na redução das importações de diesel, na agricultura familiar, no uso da capacidade instalada e na redução das emissões de CO2. O produto que é um biocombustível produzido a partir de óleos vegetais como soja, girassol, canola, residuais e gorduras animais, como o sebo bovino e aviário.

A mistura que, atualmente é de 10%, aumentará a produção de biodiesel em 25% este ano com relação a 2017. Por isso, o volume de produção do biodiesel deve chegar a aproximadamente 5,4 bilhões de litros, frente aos 4,2 bilhões de litros no ano passado. Com o B10 o Brasil se consolida como o 2º maior produtor e consumidor de biodiesel, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Utilização no Brasil

Frederico destaca que o biodiesel vem sendo utilizado desde janeiro de 2008, devido a Lei Federal nº 11.907, aprovada em 2005, que obrigou todo diesel ser composto de 2% de biodiesel. Em 2013 a composição obrigatória passou para pelo menos 5%.

No dia 11 de abril foi realizado o 60º Leilão do biodiesel, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) arrematou 928,138 milhões de litros de biodiesel, dos quais 927,693 milhões de litros foram para a mistura obrigatória. As negociações giraram em torno de R$ 2,25 milhões.

Vantagens

Em relação ao óleo diesel comum a principal vantagem do biodiesel é que ele é obtido a partir de fontes renováveis, sendo cem vezes mais biodegradável e não tóxico. Ele emite 98% menos CO2 do que o petróleo e não produz fumaça preta, nem odores desagradáveis como explica Sakson.

“O consumo interno de diesel no Brasil é de 54,5 bilhões de litros por ano. Desse total, são importados 23% (13 bilhões de litros por ano) do diesel consumido internamente. A preços atuais, a produção e o consumo de 5,4 bilhões de litros de biodiesel em 2018 equivale a economia de cerca de US$ 2,8 bilhões na balança comercial brasileira, pois cada litro de biodiesel substitui um litro de diesel de petróleo”, diz.

Um estudo, em conjunto, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja-MT) descobriu que trocar o diesel de petróleo pelo biocombustível pode diminuir a poluição entre 65% e 72%.

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Fonte: Revista Mineração e Sustentabilidade

Impacto no mercado – RenovaBio vai premiar produtores eficientes e promete ampliar a oferta

Um decreto federal deu um passo importante para concretizar a nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que busca revigorar a indústria de bioenergia do país, além de reduzir as emissões de gases estufa conforme compromisso assumido pelo Brasil na Conferência de Paris, em 2015.

Gestada nos últimos dois anos por técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), a RenovaBio foi aprovada pelo Congresso no final do ano passado. Seu decreto de regulamentação, assinado no dia 14 de março pelo presidente Michel Temer em uma cerimônia em Ribeirão Preto (SP) que marcou a abertura da safra de cana-de-açúcar, definiu um cronograma para que a política passe a vigorar em um prazo de dois anos.

O Conselho Nacional de Política Energética, que assessora o governo, irá determinar até junho as metas compulsórias para a redução de emissões de carbono no uso de combustíveis no país, que serão válidas para o período de 2018 a 2028. Em seguida, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis irá desdobrar essas grandes metas em objetivos individuais a serem cumpridos por cada uma das distribuidoras de combustível brasileiras a partir do dia 24 de dezembro de 2019.

A principal inovação da política é a criação de um mecanismo que gera um ativo financeiro para os produtores de biocombustíveis, como etanol, biodiesel, biogás ou bioquerosene, proporcional ao volume produzido e que se baseia em critérios de eficiência. Quem fabrica biocombustíveis terá direito a Créditos de Descarbonização (CBIOs), títulos negociados em bolsas que constituirão uma nova fonte de renda para o setor. Já as distribuidoras serão obrigadas a comprar esses papéis em quantidade correspondente a sua participação no mercado de combustíveis fósseis. “O objetivo desse mecanismo é descarbonizar gradualmente a matriz energética brasileira”, diz o economista Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diretor de biocombustíveis da Secretaria de Petróleo e Gás do MME, um dos artífices da nova política. 

Como resultado dessa política, o governo prevê ampliar a produção de etanol dos atuais 30 bilhões de litros para cerca de 50 bilhões de litros em 2030 e elevar a de biodiesel de 4 bilhões para 13 bilhões de litros no mesmo período. Ao mesmo tempo, calcula uma economia de 300 bilhões de litros de gasolina e diesel importados nos próximos anos. Projeta-se também um aumento de 10 milhões de hectares na área plantada dedicada à bioenergia. Os idealizadores do programa ressaltam que o Brasil tem hoje 198 milhões de hectares em pastagens, boa parte delas de baixa produtividade, que poderiam ser empregadas na produção dessas culturas.

O mecanismo proposto também busca estimular um aumento de produtividade das áreas já plantadas. O fabricante de biocombustíveis, sempre que fizer uma venda, terá direito a emitir CBIOs, mas a quantidade de créditos a que cada um terá direito dependerá de uma análise de seus processos de produção – quanto menor o balanço de emissões de gases estufa da empresa, mais créditos ela poderá receber. Essa avaliação vai reverter em uma nota de eficiência energético-ambiental atribuída a cada produtor. Um software, o Renovalc, está sendo desenvolvido para fazer cálculos precisos.

Espera-se que essa lógica estimule as usinas a utilizar as melhores práticas de plantio e de geração de bioenergia, além de adotar novas tecnologias. Usinas que, além de produzir etanol, também queimam resíduos da cana para gerar eletricidade ou produzem biogás para substituir o diesel usado nas máquinas poderão obter mais créditos do que as que não aproveitam a palha, o bagaço ou a matéria orgânica da vinhaça. “Sabemos que o etanol é sustentável, que emite em média 80% menos carbono do que combustíveis fósseis, mas alguns produtores têm indicadores econômicos e ambientais melhores do que outros e é justo que sejam reconhecidos”, explica o agrônomo Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen). “Com a RenovaBio, será possível mudar a forma como produzimos bio-energia e mostrar que o segundo maior produtor de etanol e de biodiesel do mundo está engajado em fabricar combustíveis ainda mais limpos.”

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Fonte: Revista FAPESP

Energia solar e eólica não são mais coisas de hippie

Trump e companhia estão tentando bloquear o avanço tecnológico e o preço dessa obstrução será alto

Peter Thiel, investidor do Facebook e partidário de Donald Trump, é uma pessoa horrível, pelo que se diz. Mas criou uma frase clássica sobre as decepções da tecnologia moderna: “Queríamos carros voadores, mas o que recebemos foram 140 caracteres”. Está bem, agora são 280, mas que diferença faz?

O ponto de sua tirada era que, embora não paremos de descobrir maneiras cada vez mais engenhosas de movimentar informações, continuamos a viver no mundo material, e nosso comando desse mundo material avançou muito menos do que a maioria das pessoas esperava algumas décadas atrás. Onde estão as tecnologias que transformarão a maneira pela qual lidamos com a realidade física?

Bem, existe uma área da tecnologia física –a energia renovável — em que realmente estamos vendo esse tipo de progresso, um progresso capaz de mudar o mundo e salvá-lo. Infelizmente, as pessoas que Thiel apoia estão tentando impedir que esse progresso aconteça.

Não muito tempo atrás, apelos por uma transição rumo à energia solar e eólica eram vistos por quase todo mundo como nada práticos, ou mesmo como coisa de hippie. Parte desse desprezo persiste; minha percepção é que muitos políticos e alguns empresários ainda veem a energia renovável como marginal, e ainda imaginam que homens de verdade queimam coisas, e que pessoas sérias concentram suas atenções nos bons e velhos combustíveis fósseis.

Mas a verdade é quase que o oposto, particularmente no que tange à geração de eletricidade. Aqueles que acreditam na primazia dos combustíveis fósseis, especialmente o carvão, vivem em um beco sem saída tecnológico. São eles, e não a esquerda, que podem ser definidos como luddistas modernos. E infelizmente, ainda podem causar muito estrago.

Quanto à tecnologia: até 2010, gerar eletricidade usando o sol ou o vento sempre custava mais caro do que fazê-lo usando combustíveis fósseis. Mas essa diferença já foi eliminada, e o processo está só no começo.

O uso generalizado da energia renovável continua a ser novidade, o que significa que, mesmo que não surjam grandes avanços tecnológicos, podemos antecipar novas reduções de custo à medida que os setores avançam em suas curvas de aprendizado –ou seja, encontram maneiras melhores e mais baratas de operar, à medida que acumulam experiência.

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Fonte: Paul Krugman – Folha de S.Paulo

Tarifa da China em soja do EUA muda fluxos comerciais da commodity e impacta Brasil

LONDRES (Reuters) – A China, maior compradora de soja, pode não apenas pagar mais pela oleaginosa se impuser tarifas às importações norte-americanas, mas também criar novos compradores do produto dos EUA, já que a medida mexe em fluxos globais de comércio.

O apetite voraz da China pela oleaginosa excede as exportações globais, excluindo-se os Estados Unidos, de modo que a oferta proveniente de Estados como Illinois e Iowa pode ser desviada para unidades de processamento da América do Sul.

A proposta da China para uma tarifa de 25 por cento sobre a soja dos EUA, parte de sua resposta aos planos norte-americanos de impor tarifas sobre uma série de produtos chineses, já elevou os preços dos outros dois grandes fornecedores, Brasil e Argentina.

A disputa é a mais recente de uma série de batalhas comerciais desde que Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2017, o que já está prejudicando o setor agrícola do país.

Compradores mexicanos impulsionaram as compras de milho do Brasil depois que Trump ameaçou romper o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), enquanto sua decisão de não se juntar à Aliança Transpacífica ameaça as vendas de trigo dos EUA para o Japão.

“Toda a confusão da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China fez os preços internos subirem aqui”, disse Ezequiel de Freijo, economista-chefe da Sociedad Rural na Argentina.

A Argentina já comprou 240 mil toneladas de soja dos Estados Unidos, sua maior compra em 20 anos, com as vendas registradas para o ano comercial de 2018/19, que começam em setembro.

De Freijo disse que os grandes prêmios para a soja sul-americana poderiam criar uma “triangulação” com os esmagadores argentinos comprando dos Estados Unidos e enviando seus produtos para a China.

O aumento do custo da soja sul-americana também melhorou a competitividade do fornecimento norte-americano em outros mercados, como a União Europeia, o segundo maior importador do mundo.

“Se a China levar a soja da América do Sul, outros grandes importadores como UE, México, Japão, Taiwan, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Egito terão que encontrar novos suprimentos”, disse um trader europeu de soja.

BRASIL

O Brasil é o principal fornecedor de soja da China, com 53 por cento do total de compras chinesas em 2017, seguido pelos Estados Unidos, com 34 por cento, e pela Argentina, com 7 por cento, segundo dados da alfândega.

O secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, concordou que neste ano deve haver mudança de destinos da soja nacional e dos EUA, no caso da implementação da tarifa.

Ele salientou que o Brasil não teria como atender toda a demanda chinesa.

“Com certeza, vai haver essa modificação do ‘share’, vamos aumentar o ‘share’ no mercado chinês e diminuir em outros lugares, os EUA, ao contrário…”, disse ele, comentando que o produto norte-americano ficou mais competitivo para compradores de fora da China.

Também há preocupações no Brasil em impulsionar os embarques para um país que já responde por cerca de 70 por cento das exportações brasileiras.

“Como produtores, não podemos depender de apenas um comprador. Suponha que o Brasil venda soja a 15 países e decida redirecionar para a China. Essa não é a estratégia certa”, disse José Sismeiro, produtor de soja e milho no Paraná.

“O que acontece se os EUA e a China fizerem acordos? Acho que devemos manter a nossa base de clientes a mais ampla possível.”

Outros exportadores menores, como a Ucrânia, podem impulsionar as vendas para a China com o sinal certo de preço, mas não podem substituir os volumes atualmente sendo enviados pelos Estados Unidos.

“Potencialmente, os compradores chineses podem comprar mais ativamente na Ucrânia –teoricamente até 500 mil toneladas por temporada– mas somente se o preço for atraente para os vendedores”, disse Yulia Garkavenko, da consultoria UkrAgroConsult.

A Ucrânia embarcou modestas 20.000 toneladas para a China em 2016/17.

Fonte: Reuters

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