Indonésia pode ir à OMC por tarifas americanas impostas ao seu biodiesel

No início de abril, os Estados Unidos confirmaram direitos antidumping e direitos de compensação sobre as importações de biodiesel indonésio. Publicados através do Federal Register, as tarifas foram fixadas entre 126,97% e 341,38%.

Pradnyawati, diretora de segurança comercial do Ministério do Comércio da Indonésia, disse que a decisão dos EUA prejudica muito as exportações de biodiesel indonésio. Ela acrescentou que os exportadores indonésios já entraram com um recurso para a decisão no tribunal americano.

Se esse apelo não der frutos, o governo indonésio pretende levar a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC). Contudo, Pradnyawati enfatizou que o governo aguardará primeiro esse resultado. Considerando as exportações de biodiesel como um ativo importante – em termos de ganhos em divisas – para a Indonésia, o governo está disposto a usar todas as medidas para resolver o problema e continuar com as remessas de biodiesel para os EUA.

No ano passado, produtores norte-americanos de biodiesel apresentaram uma queixa sob o argumento de que seus negócios estavam sendo prejudicados por importações baratas do biocombustível provenientes da Indonésia (e da Argentina). Mais tarde, o Departamento de Comércio dos EUA concluiu que os exportadores indonésios estavam vendendo seus produtos a 92,52 – 276,65% a menos que o valor justo, em parte devido ao generoso programa de subsídio ao biodiesel do governo indonésio.

Togar Sitanggang, secretário-geral da Associação de Produtores de Óleo de Palma da Indonésia (Gapki), disse que as exportações de produtos relacionados ao óleo de palma para os EUA já estavam em declínio antes da fixação dos direitos antidumping. Essa tendência é atribuída principalmente ao excesso de oferta de soja. No entanto, os recentes direitos antidumping acrescentaram sentimentos negativos e, portanto, reduziram ainda mais as exportações.

Continue lendo a publicação original aqui.

Fonte: Indonesia Investiments

Se capturarmos o CO2, o que devemos fazer com ele?

Captura e conversão do CO2

O dióxido de carbono (CO2) emitido por usinas de energia e fábricas não precisa ir para a atmosfera.

Tem havido um grande otimismo de que, em um horizonte de uma década, seremos capazes de capturar de forma economicamente viável o CO2 das chaminés e convertê-lo em substâncias úteis para matérias-primas, biocombustíveis, produtos farmacêuticos ou combustíveis renováveis.

“Da mesma forma que uma planta absorve dióxido de carbono, luz solar e água para produzir açúcar, estamos interessados em usar tecnologias para extrair energia do Sol ou de outras fontes renováveis para converter CO2 em pequenas moléculas básicas que possam ser desenvolvidas [em substâncias úteis] usando meios tradicionais da química para uso comercial. Nós estamos tirando inspiração da natureza e fazendo-o de forma mais rápida e eficiente,” ilustra o professor Phil De Luna, da Universidade de Toronto, no Canadá.

Base para biocombustíveis

Mas o que exatamente será melhor fazer com o dióxido de carbono capturado, se quisermos realmente transformá-lo em solução, e não em novos problemas?

Luna e seus colegas fizeram uma análise exaustiva, tanto das possibilidades teóricas, quanto dos avanços já realizados em pesquisas experimentais, buscando responder essa questão. Eles identificaram uma série de pequenas moléculas básicas que fazem sentido econômico e poderiam ser fabricadas pela conversão do CO2 capturado.

Para o campo do armazenamento de energia, o mais interessante seria usar o dióxido de carbono para produzir hidrogênio, metano e etano, todos eles podendo ser usados como biocombustíveis para queima ou para uso em células a combustível para geração direta de eletricidade.

Adicionalmente, etileno e etanol poderiam servir como blocos básicos para fabricação de uma série de bens de consumo.

Finalmente, o ácido fórmico derivado do CO2 poderia ser usado pela indústria farmacêutica ou como combustível em células a combustível.

Se capturarmos o CO2, o que devemos fazer com ele?

O exercício de futurologia da equipe coloca a eletrocatálise como a opção mais promissora a curto prazo. [Imagem: Oleksandr S. Bushuyev et al. – 10.1016/j.joule.2017.09.003]

Tecnologias engatinhando

O lado realista da análise é que as tecnologias que podem capturar o CO2 residual e transformá-lo no que quer que seja ainda estão engatinhando.

Com base na análise das start-ups atualmente desenvolvendo estratégias para uso comercial dos trabalhos em laboratório de seus fundadores, o grupo canadense prevê que as próximas décadas trarão grandes melhorias para viabilizar técnica e economicamente o sequestro e a conversão de CO2. A curto prazo – dentro de 5 a 10 anos – estimam eles, a eletrocatálise, que estimula reações químicas por meio da eletricidade, pode ser o caminho para esse processo. E, a longo prazo, daqui a 50 anos ou mais, as máquinas moleculares, moléculas que fabricam moléculas, e outras nanotecnologias podem impulsionar a conversão.

“Isso ainda é tecnologia para o futuro,” reconhece o professor Oleksandr Bushuyev. “Mas é teoricamente possível e viável, e estamos empolgados com sua expansão e implementação. Se continuarmos trabalhando nisso, é uma questão de tempo até termos usinas onde o CO2 é emitido, capturado e convertido.”

Entraves para o aproveitamento do CO2

Na realidade, há alguns entraves fundamentais para tornar a captura e conversão de carbono uma realidade. A principal delas é que a eletricidade necessária para fazer com que essas reações químicas ocorram tem um custo e pode até mesmo produzir mais CO2 – a resposta para isso está na conversão do CO2 usando energia solar ou outra fonte renovável.

Em segundo lugar, existem poucas fábricas com uma pegada de carbono elevada que emitem CO2 puro, que é necessário para as conversões realizadas em laboratório até agora – a resposta para isso está em tecnologias mais versáteis, que consigam lidar com matérias-primas mais “sujas”.

Bibliografia:

What Should We Make with CO2 and How Can We Make It?
Oleksandr S. Bushuyev, Phil De Luna, Cao Thang Dinh, Ling Tao, Genevieve Saur, Jao van de Lagemaat, Shana O. Kelley, Edward H. Sargent
Joule
DOI: 10.1016/j.joule.2017.09.003

Fonte: Inovação Tecnológica

Relatório de CO2 da IEA – Renováveis ​​Atendem 25% do Crescimento da Demanda Global

IMAGE @ IEA

Dióxido de carbono (CO2)

As emissões globais de CO2 relacionadas à energia aumentaram 1,4% em 2017, atingindo uma alta histórica de 32,5 gigatoneladas (Gt), uma retomada do crescimento após três anos de emissões globais permanecendo estáveis. O aumento das emissões de CO2, no entanto, não foi universal. Enquanto a maioria das principais economias viu um aumento, algumas outras experimentaram declínios, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, México e Japão. A maior queda no declínio veio dos Estados Unidos, principalmente devido à maior implantação de renováveis.

Últimas tendências em renováveis

As renováveis ​​tiveram a maior taxa de crescimento de qualquer fonte de energia em 2017, atendendo a um quarto do crescimento da demanda global de energia no ano passado. A China e os Estados Unidos lideraram esse crescimento sem precedentes, contribuindo com cerca de 50% do aumento da geração de eletricidade baseada em renováveis, seguida pela União Européia, Índia e Japão. A energia eólica foi responsável por 36% do crescimento da produção de energia baseada em renováveis.

O setor de energia desempenhou o papel mais importante no crescimento da energia de baixo carbono, com a geração de eletricidade baseada em renováveis ​​crescendo 6,3% (380 TWh) em 2017. As energias renováveis ​​agora respondem por 25% da geração global de eletricidade.

A China e os Estados Unidos juntos representaram metade do aumento da geração de eletricidade baseada em renováveis, seguida pela União Européia (8%), Japão e Índia (com 6% de crescimento cada). O crescimento da energia eólica e solar fotovoltaica em 2017 foi sem precedentes; a energia eólica foi responsável pela maior parcela do crescimento total de renováveis, de 36%, seguida pela energia solar fotovoltaica (27%), hidrelétrica (22%) e bioenergia (12%).

A China respondeu por 40% do crescimento combinado de energia eólica e solar fotovoltaica, com novas adições recorde de capacidade e uma redução na taxa de contingenciamento. Quase 40% do aumento da energia hidrelétrica foi nos Estados Unidos, enquanto a União Européia reduziu a produção de hidrelétricas em quase um décimo. A União Européia, China e Japão responderam por 82% do crescimento global de bioenergia em energia.

A China ultrapassou os Estados Unidos para se tornar líder mundial em geração de eletricidade baseada em renováveis ​​não-hidrelétricas. A capacidade solar fotovoltaica global aproximou-se de 400 GW no final de 2017. Foi um ano extraordinário para a adição de energia solar fotovoltaica na China, com mais de 50 GW de nova capacidade, superando as adições de capacidade combinada de carvão, gás e energia nuclear e de 35 GW em 2016. A nova capacidade de energia solar fotovoltaica adicionada na China somente em 2017 é equivalente à capacidade total de energia solar fotovoltaica da França e da Alemanha juntas.

Nos Estados Unidos, 10 GW de energia solar fotovoltaica foram adicionados em 2017, uma queda de 30% em relação a 2016, mas ainda é o segundo ano mais alto já registrado. Na Índia, um recorde de 8 GW de capacidade solar fotovoltaica foi adicionado em 2017, o dobro das adições observadas em 2016. Na União Europeia a energia eólica registrou um ano recorde de 15,6 GW de capacidade, dos quais 3,1 GW foram offshore, também um recorde. Com o crescimento contínuo da energia eólica onshore, a capacidade eólica global (onshore e offshore) alcançou cerca de 510 GW.

Fora do setor de energia, apenas um aumento modesto da produção de biocombustíveis de 2% (50 kb / d) foi observado em 2017, ligeiramente inferior ao crescimento do ano anterior, refletindo uma tendência de queda de longo prazo no investimento em novas capacidades de produção. O aumento da produção de etanol nos Estados Unidos e na Europa foi parcialmente compensado pela menor produção no Brasil, enquanto a produção de biodiesel permaneceu praticamente estável.

A China, maior consumidor de calor do mundo, anunciou um plano de aquecimento limpo de cinco anos focado em cidades do norte em dezembro de 2017. Essa mudança na política pode reduzir significativamente o uso de carvão para aquecimento e substituí-lo por fontes mais limpas, incluindo renováveis ​​(biomassa, geotérmica e solar calor).

Embora as energias renováveis ​​tenham crescido rapidamente em 2017, o ritmo de implantação fica aquém do necessário para atingir as metas climáticas globais no Cenário de Desenvolvimento Sustentável da AIE  . A intensidade das emissões de carbono em 2017 melhorou em menos de um terço do que seria necessário para cumprir a transição global para as metas climáticas.

 

Fonte: IEA
completa Relatório IEA:  Relatório Global Energy & Status CO2 2017

Exportação de soja do país em abril ganha ritmo, aponta Secex

A exportação de soja do Brasil em abril até a terceira semana atingiu 495,7 mil toneladas ao dia em média, ante 442,7 mil toneladas nas duas primeiras semanas do mês, de acordo com dados da Secretaria Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta segunda-feira (23/04).

Apesar do aumento na média diária, os embarques ainda estão abaixo das 579,6 mil toneladas ao dia registradas em abril do ano passado.

À medida que mais soja da safra recorde chega aos portos, os embarques no acumulado dos 15 primeiros dias úteis de abril estão mais acelerados frente ao total visto em março (419,7 mil toneladas).

À medida que mais soja da safra recorde chega aos portos, os embarques no acumulado dos 15 primeiros dias úteis de abril estão mais acelerados frente ao total visto em março (419,7 mil toneladas).

Nas três primeiras semanas do mês, o maior exportador global de soja embarcou, segundo a Secex, 7,4 milhões de toneladas, ante 8,81 milhões em todo o mês de março e 10,43 milhões em abril de 2017.

Em abril do ano passado, os embarques brasileiros de soja foram volumosos, perdendo apenas para o recorde histórico de maio do ano passado de 10,96 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras no ano devem atingir mais de 70 milhões de toneladas, segundo consultorias, diante de uma safra recorde de quase 120 milhões de toneladas, de acordo com analistas.

Além da safra recorde, as exportações brasileiras têm sido beneficiadas por uma disputa comercial entre Estados Unidos e China, maior importador global da oleaginosa.

O Brasil ainda deve ocupar espaço deixado pela Argentina, cuja colheita sofreu uma severa redução devido à seca prolongada.

Fonte: Reuters

Transformação global de energia: um roteiro para 2050

A energia renovável precisa ser ampliada pelo menos seis vezes mais rápido para que o mundo atinja os objetivos de descarbonização e mitigação climática estabelecidos no Acordo de Paris, diz Global Energy Transformation: Um roteiro para 2050 .

O acordo climático histórico de 2015 visa, no mínimo, limitar a elevação da temperatura global média a “bem abaixo de 2 ° C” no século atual, em comparação com os níveis pré-industriais. Como este novo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), energia renovável e eficiência energética podem, em conjunto, fornecer mais de 90% das necessárias reduções de emissões de Co², relacionados com a energia.

Além disso, isso pode acontecer usando tecnologias seguras, confiáveis, acessíveis e amplamente disponíveis. Embora caminhos diferentes possam mitigar as mudanças climáticas, as energias renováveis ​​e a eficiência energética fornecem o caminho ideal para a maioria dos cortes de emissões necessários e dentro da velocidade ideal.

As atuais tendências de emissão de dióxido de carbono (CO 2 ) ainda não estão no caminho certo. De acordo com as políticas atuais e planejadas (incluindo Contribuições Nacionalmente Determinadas sob o Acordo de Paris), o mundo esgotaria seu orçamento de carbono relacionado à energia em menos de 20 anos. Mesmo assim, os combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, continuariam a dominar o mix global de energia nas próximas décadas.

O “orçamento de carbono” para manter o aquecimento global abaixo de 2 o C se esgotará em menos de 20 anos.

O orçamento de carbono para manter o aquecimento global abaixo de 2o C se esgotará em menos de 20 anos.

Manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (° C) é tecnicamente viável. Também seria mais econômica, social e ambientalmente benéfica do que o caminho resultante dos planos e políticas atuais, conhecido no relatório como o Caso de Referência. No entanto, o sistema energético global deve passar por uma profunda transformação, substituindo o atual sistema que é amplamente baseado em combustíveis fósseis.

A quota total de energias renováveis ​​deve aumentar de cerca de 18% do consumo total de energia final (em 2015) para cerca de dois terços até 2050. No mesmo período, a quota de energias renováveis ​​no setor da energia aumentaria de cerca de um quarto para 85%, principalmente através do crescimento da geração de energia solar e eólica. A intensidade energética da economia global terá que cair cerca de dois terços, reduzindo a demanda de energia em 2050 para um pouco menos que os níveis de 2015. Isso é possível, apesar do crescimento populacional e econômico significativo, melhorando substancialmente a eficiência energética, segundo o relatório.

As energias renováveis ​​podem representar dois terços do mix energético até 2050, com uma intensidade energética significativamente melhorada.

As energias renováveis ​​podem representar dois terços do mix energético até 2050, com uma intensidade energética significativamente melhorada.

Embora o setor energético já tenha visto uma descarbonização significativa, esse progresso deve ser acelerado. Como a eletricidade de baixo carbono se torna a principal fonte de energia, a parcela de eletricidade consumida nos setores de uso final (edifícios, aquecimento e transporte) precisaria dobrar, passando de aproximadamente 20% em 2015 para 40% em 2050. As renováveis ​​também devem se expandir significativamente como fonte para usos diretos, incluindo combustíveis para transporte e calor direto, acrescenta o relatório. A análise é baseada no mapa global da IRENA para aumentar as energias renováveis, conhecido como REmap .

A transformação global da energia faz sentido econômico. No entanto, exige mais investimentos em tecnologias de baixo carbono sem demora. Compreender sua pegada socioeconômica, entretanto, é essencial. A mudança para as energias renováveis ​​deve criar mais empregos energéticos do que aqueles perdidos nas indústrias de combustíveis fósseis, mostra a análise da IRENA. Também impulsionaria o PIB global em 1% em 2050 e melhoraria significativamente o bem-estar geral.

A transição energética geraria mais de 11 milhões de empregos adicionais em energia até 2050.

A transição energética geraria mais de 11 milhões de empregos adicionais em energia até 2050.

Fonte: IRENA

Preços de farelo e óleo de soja sobem

Os valores de farelo e óleo de soja subiram nos últimos dias; quanto ao grão, por outro lado, as cotações registraram queda. Pesquisadores do Cepea afirmam que o aumento nos preços dos derivados está atrelado às expectativas das indústrias brasileiras de ganhar maior fatia na comercialização internacional desses produtos, devido à quebra na safra de soja na Argentina (maior exportador mundial de farelo e óleo de soja).

A valorização do farelo e do óleo no Brasil, no entanto, acabou limitada pela menor demanda interna. Para o farelo, consumidores domésticos indicam ter estoques curtos, mas preferem comprar o insumo aos poucos, porque muitos suinocultores e avicultores estão com margens reduzidas e/ou negativas. Quanto ao óleo, as compras do segmento de biodiesel estão enfraquecidas. Neste caso, verifica-se disparidade entre os valores de compra e de venda, mas, no geral, os fechamentos ocorrem nos patamares ofertados pela indústria.

Em relação à soja em grão, por sua vez, os preços recuaram devido à maior oferta no Brasil, da queda internacional e da recente desvalorização do dólar frente ao Real.

Fonte: Cepea

Embrapa completa 45 anos e investe em mudanças para enfrentar novos desafios

Uma conquista da ciência brasileira, liderada pela Embrapa, universidades e iniciativa privada, permitiu ao País  desenvolver um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja. Essa inovação permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa – apenas na última safra, sem precisar gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes serão anunciados em uma solenidade hoje (24), em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

 

 

“O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro”, afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical – e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

“Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. “A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos”, diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para “dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

“Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade”, conclui o presidente Maurício Lopes.

Serviço:
Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa

  • Data: 24 de abril de 2018
  • Horário: 15 horas
  • Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF
  • Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Fonte: Embrapa

Reino Unido funcionou 55 horas consecutivas sem carvão pela primeira vez na história

O Reino Unido funcionou  55 horas consecutivas sem carvão, batendo o último recorde de 40 horas livres de recursos não renováveis atingido em outubro passado, segundo a Bloomberg. Um feito concretizado no momento em que os combustíveis fósseis começam a perder terreno para as energias renováveis.

Entre as 22 horas de segunda-feira(16), em Londres e as 5 horas de quinta-feira(17), o Reino Unido ficou por tempo recorde sem a utilização de usinas de carvão. Em contrapartida, as turbinas eólicas produziram maiores quantidades de energia.

O Reino Unido foi um dos primeiros países a adotar a energia renovável como recurso para a criação de eletricidade. Tem um número de turbinas eólicas instaladas muito superior a outros países e igualmente campos de painéis solares que começam cada vez mais a atender à maior procura por fontes renováveis, segundo a Bloomberg.

O governo britânico pretende desligar todas as usinas de carvão até 2025 e dar prioridade às energias renováveis.

Já em Março deste ano, Portugal funcionou também, a nível elétrico, durante 69 horas, através de fontes renováveis. Entre as 16 horas de sexta-feira, dia 9 de Março, e as 13 horas de segunda-feira, 12 de Março, o consumo de eletricidade em Portugal operou inteiramente em função de recursos renováveis.

Já em 2016, Portugal tinha realizado o mesmo feito, mas por um período mais longo. Durante 107 horas consecutivas, as renováveis asseguraram todo o consumo em Portugal Continental. Foram mais de quatro dias com eletricidade produzida exclusivamente a partir de energias renováveis. A chuva e o vento foram também aqui os únicos motores da energia em Portugal, sem necessidade de recorrer a carvão ou a gás natural.

Fonte: Jornal de Negócios 

Cearenses desenvolvem pesquisa que utiliza microalga para produção de biodiesel

Pesquisa envolve a produção de biodiesel, que é um combustível utilizado em carros ou caminhões, feito a partir de óleos vegetais ou de gordura animal

Uma pesquisa feita por alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) trabalha a produção de combustíveis como biodiesel a partir de microalgas.

As alunas de Agronomia do campus de Limoeiro do Norte Gabriela de Freitas e Edla Rayane de Oliveira desenvolveram a pesquisa que chegou a ser selecionada para um evento em Nova York, nos Estados Unidos.

A pesquisa envolve a produção de biodiesel, que é um combustível utilizado em carros ou caminhões, feito a partir de óleos vegetais ou de gordura animal.

No caso específico, microalgas são algas unicelulares que crescem em água doce ou salgada e são bastante utilizadas como alimento de organismos aquático.

O professor orientador da pesquisa, William Alves, explica que uma das vantagens é o maior rendimento por área, e também a não utilização de áreas agricultáveis.

De acordo com o professor, a pesquisa tem baixo custo. “O trabalho pode se tornar mais econômico em virtude da pesquisa por se utilizar de áreas agricultáveis”, destaca.

Fonte: Tribuna do Ceará

Indonésia deve impulsionar exportação de biodiesel

Os fabricantes de biodiesel da Indonésia estão se preparando para impulsionar as exportações depois que a União Europeia (UE) removeu as tarifas antidumping dos embarques de alguns produtores do país, enquanto fornecedores rivais na Malásia estão se preparando para uma desaceleração na produção na esteira desse cenário.

Após um processo judicial no Tribunal de Justiça Europeu, a UE removeu no mês passado os direitos antidumping sobre as importações de biodiesel de 13 produtores indonésios e argentinos que estavam em vigor desde 2013.

O movimento deve ser uma bênção para a Indonésia, maior fornecedor mundial do biocombustível à base de óleo de palma, mas deve atingir os exportadores malaios com a perda de participação de mercado devido aos custos mais altos em sua indústria de biodiesel, que é de menor escala.

Traders estimam que os preços da Malásia para uma tonelada de biodiesel são normalmente entre 30 e 40 dólares mais caros do que os indonésios. Ambas as nações usam óleo de palma de suas vastas plantações para produzir biodiesel. “Algumas empresas (indonésias) já começaram a transportar (para a Europa)”, disse o presidente da Associação de Produtores de Biocombustíveis da Indonésia (Aprobi), MP Tumanggor.

Ele espera que a Indonésia envie cerca de 432 mil toneladas de biodiesel para a UE este ano, ante praticamente nada em 2017.

Fonte: Reuters

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