16 de julho de 2018

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FAO: preço dos principais produtos agrícolas e pecuários deve se manter baixo

São Paulo, 04 – O ritmo de crescimento da demanda global por alimentos e commodities agrícolas está se enfraquecendo, ao passo que o setor agrícola como um todo continua conquistando importantes e contínuos ganhos de produtividade. Como consequência, os preços dos principais produtos agrícolas e pecuários no mundo devem se manter em nível relativamente baixo na próxima década.

A avaliação é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em relatório sobre as perspectivas entre 2018 e 2027, apresentado na noite de terça-feira, 3, em Paris.

A demanda nas principais economias emergentes é um dos fatores que mais pesam sobre o ritmo global, verificou o levantamento, com a estagnação do consumo de alimentos básicos. Nesse quesito, o destaque fica com a demanda da China, que dá sinais de desaceleração, após forte expansão na última década, sustentada pela melhora da renda. Outro fator que influência negativamente o apetite global por alimentos é o crescimento populacional mais moderado no mundo. O cenário, enquanto isso, não apresenta fontes alternativas para compensar o enfraquecimento da demanda.

O aumento da produção em 2017 foi verificado em praticamente todas as culturas, atingindo níveis recordes para a maioria dos grãos e cereais, carnes e lácteos. Ao mesmo tempo, os estoques acumularam patamares jamais vistos.

Na próxima década, a produção agrícola global deve ter um crescimento de 20%, ainda que regiões em desenvolvimento e com crescimento populacional maior devam puxar o ritmo para cima. É o caso de regiões como a África Subsaariana, Leste Asiático, Oriente Médio e o norte da África. Em contrapartida, o relatório aponta que o ritmo em regiões desenvolvidas, como na Europa Ocidental, deve ser “muito mais fraco”.

A desaceleração da demanda por carnes deve “colocar um freio na demanda por cereais e proteínas utilizadas em ração animal”, diz o relatório.

O comércio internacional, por sua vez, deverá sofrer o impacto da desaceleração. A projeção da FAO e da OCDE é de queda de cerca de 50% no ritmo de expansão das exportações na próxima década, em comparação ao verificado nos últimos dez anos.

Brasil

Muitas vezes tratado como ‘celeiro do mundo’, o Brasil continuará protagonista na produção e fornecimento de alimentos ao resto do mundo, aponta o levantamento.

No caso da soja, o País continuará dividindo a maior fatia do mercado com os Estados Unidos. O relatório prevê, ainda, que o milho brasileiro deve ganhar mercado. “As exportações de soja, outras sementes oleaginosas e de farelo de proteína seguirão dominadas pelas Américas. Os preços deverão aumentar ligeiramente em termos nominais ao longo do período de previsão, com ligeiros declínios em termos reais”, diz o documento.

Já no caso do açúcar, as projeções indicam que o crescimento da produção se dará “em ritmo mais lento do que na década anterior”. O Brasil continuará como o maior produtor global de açúcar, assim como deverá concentrar 45% das exportações globais. “A demanda por adoçantes calóricos deve crescer a um ritmo mais rápido do que outras commodities”, diz a FAO/OCDE.

O relatório aponta que os preços globais do biodiesel e do etanol deverão diminuir, respectivamente, 14% e 8% em termos reais na próxima década. “No entanto, a evolução dos mercados de etanol e biodiesel continuará sendo moldada pela definição de políticas e pela demanda por combustível para transporte, o que implica considerável incerteza nessas projeções”, pondera. O Brasil pode perder market share na próxima década, de 90% para 88%, em virtude do aumento da produção na Ásia.

No segmento de carnes, as entidades projetam crescimento de 15% da produção em 2027, em comparação com 2018. A alta do consumo de proteína animal deve ser liderada por países em desenvolvimento, com peso de 76% do crescimento.

“Consumidores em países em desenvolvimento devem aumentar e diversificar o consumo de carnes, buscando opções mais caras como carne bovina e de carneiro”, diz o relatório. Em 2027, as vendas internacionais de Brasil e Estados Unidos, os principais exportadores de proteína animal do mundo, devem corresponder a 45% do total.

Fonte: Estadão Conteúdo

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