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Óleo de soja mais saudável pode ficar parecido com azeite

Conab eleva previsão de safra de soja 2017/18 do Brasil © by United Soybean Board/Wikimedia

Um dos fatores que conferiram ao azeite de oliva a fama de “gordura do bem” foi sua alta concentração de ácido oleico (até 84% do total de ácidos graxos do produto). Também conhecido como ômega 9, trata-se de um ácido graxo monoinsaturado ao qual têm sido atribuídas propriedades anti-inflamatórias e a capacidade de reduzir o colesterol LDL.

No óleo de soja, muito mais usado pela população, esse nutriente também está presente, embora em quantidades mais modestas – em média 23% do total de ácidos graxos do produto.

Mas esse número poderá se tornar significativamente maior no futuro, graças a esforços de pesquisadores da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos (SP), e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) em Piracicaba (SP).

“Aumentar o teor de ácido oleico no óleo de soja seria interessante não apenas para o consumo humano, como também para a produção de biodiesel. Por esse motivo, nosso projeto busca marcadores genéticos que possibilitem, por meio da seleção genômica, modificar o perfil de ácidos graxos do óleo de soja,” disse a professora Regina Priolli.

Ácidos graxos no óleo de soja

Além do ácido oleico, outros quatro ácidos graxos são encontrados no óleo de soja.

O ácido palmítico (11% em média) e o ácido esteárico (4%) são gorduras saturadas – consideradas ruins para o sistema cardiovascular. Já o ácido linoleico, ou ômega 6, (54%) e o ácido linolênico, ou ômega, 3 pertencem ao grupo das gorduras poli-insaturadas – consideradas boas para a saúde – e estão associados às características de sabor do óleo de soja.

“Por meio de melhoramento genético poderíamos, por exemplo, diminuir o teor de ácido palmítico e aumentar o de ácido oleico. Mas é preciso encontrar uma proporção ideal, pois teores desbalanceados destes ácidos graxos fariam com que o óleo endurecesse em temperaturas baixas,” conta a pesquisadora.

Ela já cultivou 96 diferentes linhagens de plantas de diversas partes do mundo, durante dois anos. O estudo prossegue, sendo que um dos principais desafios tem sido alterar o perfil dos ácidos graxos sem diminuir a quantidade de proteína presente na soja – 40% em média.

“A soja é uma das principais fontes de proteína e óleo vegetal do mundo. A correlação negativa entre esses dois nutrientes no grão dificulta o aumento simultâneo de ambos. Por esse motivo, elevar a qualidade do óleo modulando a composição de ácidos graxos pode ser a saída para o melhoramento da soja,” afirmou Regina.

Fonte: Diário da Saúde