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Mola propulsora

Mola propulsora

Compreender quais as contribuições que o biodiesel poderá dar para que o Brasil reencontre o caminho do crescimento econômico foi o tema do painel de abertura da Conferência BiodieselBR 2017 que reuniu lideranças das três principais entidades de representação do setor – Abiove, Aprobio e Ubrabio – além do deputado federal Evandro Gussi e o senador Cidinho Santos.

Crescimento certo

Mesmo que – de uma forma mais geral – o setor tenha trocada o entusiasmo pela prudência este ano, há pouca dúvida real de que as perspectivas são de crescimento. O único ponto de interrogação é qual será o ritmo da expansão. Afinal de contas, Lei 13.263/2016 continuará garantindo que, com ou sem a antecipação que vem sendo prometida pelo Planalto, chegaremos ao B10 e com boas chances de avançar rumo ao B15 sem maiores percalços.

E isso tudo sem nem depender da implementação do RenovaBio.

“O setor vai dar o que falar, e muito bem, num futuro próximo”, elogiou o ex-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, acrescentando que apesar das dificuldades a indústria de biodiesel “já mostrou a que veio de uma forma muito competente” ao longo desses últimos anos.

Lembrando dos primórdios do setor, o executivo ressaltou que a produção da indústria vem acresceu de forma praticamente ininterrupta desde seu começo – saindo de pouco mais de 735 mil litros fabricados em 2005 para mais de 3,8 bilhões de litros no ano passado. “E, se tudo der certo com a antecipação da mistura e a demanda, em 2018 chegaremos em 5,5 bilhões de litros”, antecipou.

Em cascata

Uma característica importante do segmento de biodiesel é que seu crescimento tem um efeito multiplicador importante sobre outros segmentos da economia brasileira.

Caso, por exemplo, do poderoso complexo soja. Embora o Brasil seja hoje o segundo maior produtor de soja em grão do planeta – atrás somente dos Estados Unidos – com uma colheita de quase 114,1 milhões de toneladas este ano, o país tem encontrado dificuldade em agregar valor à sua produção. Hoje pouco mais de 40% da soja colhida é processada em território nacional. “Nós exportamos 63 milhões de toneladas de soja in natura. Na prática estamos exportando fábricas, empregos e oportunidades que estamos deixando de gerar aqui para outros países”, reclama Lovatelli para quem uma política mais agressiva de expansão de biodiesel poderia ser um vetor para permitir a que a agregação de valor de uma parcela maior da soja brasileira acontecesse internamente.

Não são apenas os produtores rurais e indústrias que vivem da soja a serem beneficiado. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, os benefícios do biodiesel são fortemente sentidos em cidades e regiões do interior do país. “Segundo um estudo realizado pela Fipe por encomenda da Aprobio, em todas as cidades onde há produção de biodiesel o PIB melhorou. Sendo que o contrário também é verdadeiro. Cidades onde as usinas fecharam a gente viu uma queda acentuada do PIB”, destaca. “Nesse sentido, o governo acertou em cheio. O biodiesel é uma excelente ferramenta de promoção do desenvolvimento regional”, celebrou.

De acordo com Erasmo, trocar diesel importado por biodiesel nacional não ajudariam apenas nas contas externas. Segundo aquele mesmo estudo da Fipe, a cadeia de biodiesel gera mais que o dobro de empregos – 113% para ser mais preciso – do que a cadeia de diesel para fabrica o mesmo volume de combustíveis. “Comparando com a mera importação, então, nossa vantagem seria ainda maior”, garante.

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Texto de Fábio Rodrigues para o Portal BiodieselBR